Publicado por: Lívia Bastos em 30.01.2018

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Para este ano, a revista americana LOVE fez edições especiais para celebrar as “Mulheres e Meninas de 2018” onde as celebridades escolhidas são entrevistadas por outras mulheres que as conhecem. A escolhida para entrevistar uma das celebridades das capas, a atriz americana Elle Fanning, foi Selena Gomez com quem contracenou no filme “Um Dia Chuvoso em Nova Iorque” – no qual poderá não ser lançado. Sem mais delongas, confira a entrevista abaixo:

Selena Gomez entrevista Elle Fanning para LOVE19

Love juntou-se a uma conversa telefônica de uma costa à outra entre as jovens atrizes Elle Fanning (ligando do apartamento da irmã Dakota em NYC) e Selena Gomez (bebendo café em casa em LA) que se encontraram no set do novo filme de Woody Allen, Um Dia Chuvoso em Nova Iorque.

Cair de paraquedas numa conversa entre Elle Fanning e Selena Gomez é como entrar num filme de sessão da tarde: barulhento, cheio de risadas e com um diálogo rápido. Enquanto eu entro um pouco depois das duas jovens – que se tornaram não apenas colegas de trabalho, mas amigas íntimas, um bando – eu passei os primeiros dois minutos catando migalhas de assuntos: o processo torturante de audição; as mulheres fortes ao seu redor das quais elas dependem; experiências de paralisia ao entrar num espaço com gente muito, muito famosa: ‘Eu lembro que isso aconteceu quando eu fui ao Met Ball’, brinca Fanning, ‘e eu não sabia pra onde olhar’. Apesar de conhecerem Los Angeles de cabo a rabo, elas ainda não tinh sido apresentadas formalmente até setembro do ano passado num teste para o projeto de um filme no qual trabalhariam juntas, “Um dia Chuvoso em NY”, de Woody Allen. “Foi no trailer de maquiagem, no primeiro dia”, lembra Fanning. “Eu entrei e a Selena estava fazendo cachos nos cabelos, que eram castanhos na época, e ela estava ouvindo Dolly Parton. Ela pulou imediatamente e me deu abraço. Um sorriso imenso. Foi tudo como eu imaginei que seria, conhecer alguém que eu queria muito, o que eu consegui”, elas trocaram os números de  telefone e Fanning logo descobriria que Selena se tornaria alguém muito mais importante do que uma simples colega de trabalho. Ela revelou o glamour do Billboard Women in Music Awards em dezembro, onde ela apresentou Gomez como Mulher do Ano: “Foi o começo de uma amizade sincera; alguém que vou apoiar para sempre. Um ombro para chorar e também uma ótima parceira de dança”.

Ouvir Gomez entrevistar Fanning por mais de uma hora com inteligência e bom humor, mostrou a genuinidade e valor das duas. Elas têm uma união que é esquecida no mundo – tanto dentro quanto fora da indústria – e têm isso em um fluxo tremendo, e elas são ambas apaixonadas por usarem seus perfis, talentos e oportunidades para pregar aceitação, mudança e responsabilidade. Gomez, em particular, fica muito emocionada a falar. Talvez seja a diferença no horário e a cafeína no sangue. Mas é mais provável, no entanto, que ela realmente se comprometa com esse relacionamento que claramente significa tanto. Ouvimos muito sobre como a indústria envenena as jovens mulheres, e homens, uns contra os outros numa batalha para agarrar (e construir) a estrela mais brilhante; ouvir duas mulheres ignorarem esse barulho e permitirem-se respeito mútuo é algo realmente muito raro é precioso.

Selena Gomez: Elle, quando conversávamos antes, nós sempre falamos sobre as mulheres que nos inspiraram ao longo do caminho, as mulheres que nos moldaram…

Elle Fanning: Eu sei – nós estamos sempre tendo as conversas mais intensas em lugares tão aleatórios! Eu sinto que devo muito para aquelas que estiveram ao meu redor enquanto eu cresci. Eu tive tantas mulheres fortes na minha vida. Minha avó, Mary Jane, é uma pessoa que sempre esteve lá quando eu precisava de alguém. Eu realmente detesto audições, por exemplo, nunca esquecerei de uma audição quando tinha 12 anos. Eu simplesmente não estava me divertindo – na verdade, eu desmaiei. Minha avó me levou ao Burger King para fazer eu me sentir melhor, invés de me repreender por ter estragado. Um simples ato de bondade permaneceu comigo.

SG: Elle, a pressão já chegou em você nessas situações?

EF: Eu me pressionei, e eu sou perfeccionista e quero fazer isso certo, imediatamente. As audições pra mim são tão bizarras porque leva um tempo para você encontrar esse personagem para sair perfeito, e a pressão é que você precisa ser esse personagem imediatamente. E eu não conheço esse tipo de truque para isso. Normalmente – embora não com o Woody – o que você pede para fazer pode ser bastante intenso, emocionalmente; você tem que entregar todo esse sentimento para pessoas que acabou de conhecer. Você diz: “Olá!” e então você começa a chorar. Tipo, é um pouco estranho.

SG: Você pode falar sobre um papel que você acha que concedeu a si mesma que se viu, ou o seu talento, em uma luz diferente? Adorei o que você fez com o diretor  Nicholas Winding Refn em The Neon Demon…

EF: Eu sinto que tive alguns momentos e alguns filmes onde eu quebrei uma barreira pra mim. Momentos quando as pessoas começaram a me reconhecer ao invés de reconhecer Dakota Fanning! Quando eu peguei o roteiro de The Neon Demon, eu me encontrei com o Nicholas e depois da reunião eu decidi que queria fazê-lo. Mas então você começa a pensar um pouco mais, e foi tão selvagem e muito diferente de qualquer coisa que eu fiz anteriormente. Eu estava animada, mas nervosa. Eu tinha apenas 16 anos na época, então sabia que, se eu assumisse essa parte, eu mudaria. E eu acho que mudei, de uma boa maneira. Foi um filme tão divisivo, no entanto; as pessoas adoraram ou odiaram, e nós experimentamos o ódio de uma forma diferente em Cannes – eles eram tão vocais sobre isso. Nicholas me ensinou a permanecer bem, mesmo as pessoas odiando algo. Ele estava muito obcecado com as pessoas de opiniões fortes. Ele me ensinou que você não quer se envolver em filmes onde as pessoas são tipo “Ah, estava bom.” Você quer um impacto, bom ou ruim.

SG: Isso é tão legal, e você teve essa chance quando tinha 16 anos e se deparou com essas escolhas. Você tomou uma decisão corajosa de fazer algo inesperado. Isso mostra que você vai ser uma pessoa que arrisca, e eu me refiro à você sendo alguém onde está e questionando seu lugar em tudo isso.

SG: Esse é um lado de ser mulher que é agradável. Eu acho que está OK dizer que nós gostamos de brincar de se vestir e habitar na vida de outra pessoa. É tão legal ser outra pessoa um pouco. É emocionante.

EF: A escolha das roupas, trabalhando com o departamento de figurino, também é uma parte muito frutífera em todo o processo também.

SG: Elle, eu quero saber: você tem um plano? Você está buscando certos papéis?

EF: Bem, eu não estou interessada em atuar “a namorada de…” ou “a esposa de…” em um filme, sabe? Apenas como uma personagem líder heroica. Não são muitas mulheres que realmente querem fazer esses papéis hoje em dia. Eu quero personagens femininas fortes que estão fazendo as coisas acontecerem. Mas tendo apenas 19, não há muitas partes para mulheres jovens que são tão centrais, mantendo o filme todo. Para mim, se trata de procurar o meu próprio material e trazer para as pessoas com as quais posso trabalhar. É algo que eu estou começando a fazer, alguns projetos, livros que eu gosto, mas é preciso fazer isso nós mesmos. Olhe para alguém como Margot Robbie e o filme I, Tonya; eu a respeito tanto por ela ter produzido esse filme e ela fez isso acontecer. Ela é incrível.

SG: Sinto que hoje as mulheres se sentem mais confortáveis ao fazer isso, que tem a crença de que você pode ir e encontrar esses projetos e as pessoas os apoiarão. Sempre houve personagens femininas, claro, mas agora queremos que suas histórias sejam ouvidas, e ouvir que você está indo ativamente e buscando esse tipo de coisa para produzir é brilhante. É bom saber que é uma faixa para isso.

EF: Digo, eu sinto que andei procurando por essas coisas por anos, mas só estou conseguindo fazer algo sobre isso agora.

SG: Totalmente. Você pode me falar sobre pessoas com quem você trabalhou e que realmente fizeram impacto em você?

EF: Nossa. Quero dizer, eu trabalhei com tantos bons atores e diretores. Mas quando conheci Nicole [Kidman], era alguém que eu sempre admirei. Então eu fiz dois filmes com ela, um após o outro, então eu a conheci um pouco melhor. Eu cheguei a testemunhar sua graça e também a maneira como ela desenvolve o seu personagem. Ela sempre foi uma das minhas modelos e eu adoro ela. Ela assumiu esse papel muito maternal pra mim – ela me levou sob suas asas e me deu um ótimo conselho, o que foi interessante, porque quando as pessoas lhe dão conselhos nesta indústria, geralmente não é específico. As pessoas não sentam com você e falam “OK, eu vou te contar tudo o que você precisa saber.” Isso nunca acontece! Quando as pessoas me perguntam “Você aprendeu alguma coisa de alguém?”, eu digo que teria observado alguém, mas não é como se eles se sentassem comigo e contassem os segredos de Hollywood! Nicole era mais direta e uma grande professora de certa forma.
SG: Exatamente, digo, se alguém tiver o manual de Hollywood, por favor, eles podem passar por nosso caminho? Eu adoraria ter um. Você aprende por experiência assim como todas as mulheres e homens. E eu concordo com você, Elle, sobre isso: a experiência é fundamental. Me lembro de trabalhar com Ethan Hawke uma vez – não que eu tivesse animada com esse filme, mas foi um onde aprendi muito com ele. Eu recebo muito essa pergunta, sobre ter conselhos.

SG: Foi assim e isso raramente acontece. Atuar como um processo é um pouco estranho e surreal e dá trabalho, não é como ir a um bar, mas as vezes você se identifica com alguém. Mas para mim são os momentos em que você não está no set – e foi assim comigo e com a Elle. Os momentos em que você baixa a guarda um pouco, está relação, não num lugar onde outra pessoa está te julgando; foi muito legal. Você tem que conquistar a confiança das pessoas e você tem que trabalhar com isso. Mas com a Elle foi muito claro que a gente tinha algo e eu me senti segura pra simplesmente sentar e dizer tudo o que estava pensando no momento. Eu gosto de pensar que temos idades muito próximas; Nós tivemos tanta conexão, o que passamos e o que superamos. Eu acho que senti como se tivéssemos visto a vida de uma forma que outros não viram. E eu pude passar um tempo com alguns amigos dela, com quem ela cresceu, e ela conheceu alguns amigos meus. Eu fico muito sensível quando converso com a Elle sobre isso.

EF: Ah, eu também. Selena, você é tão sincera e confiável, é tão especial. Você quer ouvir as pessoas. Digo, todos nós conhecemos pessoas que sentam e dizem que estão ouvindo, mas eles só ficam balançando a cabeça nos momentos certos. Selena esta realmente lá com você, fazendo perguntas. Você é tão boa com isso, Selena. Você só quer ouvir o que todos têm a dizer. Isso é raro.

SG: O mais triste na nossa indústria é que muitas boas intenções ficam na metade caminho. O clichê do “vamos almoçar” ou “vamos marcar algo”, e eu não culpo ninguém por isso – a vida acontece o tempo todo, não só na indústria. Mas as vezes eu sei que eu tive uma conversa boa com alguém e eu sei que nunca mais vou falar com aquela pessoa novamente na minha vida. Elle e eu estaremos nos lugares mais impossíveis e ficaremos: “como estamos tendo essa conversa nesse momento?” Você espera por esse tipo de momento.

SG: Sim, é sim, é eu tenho esse senso de responsabilidade. Mas não é apenas nossa geração: foram as gerações de homens e mulheres antes de nós que abriram grandes precedentes. Mulheres de qualquer idade deveriam concordar em apoiar umas às outras. Ouvir isso dos meus mentores, de pessoas em quem me inspiro, ajuda quando entro em um ambiente cheio de pessoas poderosas. Agora eu me sinto confiante o suficiente para ir e defender minha causa de cabeça erguida. Isso me deixa mais confortável. Foram todas as mulheres que vieram antes de nos que nos deram uma voz ativa e isso é muito importante agora. Todas as garotas da minha rua, na música ou na atuação, eu espero que elas saibam que eu as apoio e não é o que eu faço que me move, mas é o que elas fazem e como elas me inspiram. E eu espero que isso continue mudando.

EF: As mulheres deveriam apoiar umas às outras. Eu sinto mesmo uma mudança com relação a isso e eu sinto como se nós nos apoiássemos. É isso o que a Selena faz tão bem: ela realmente quer o melhor pra todo mundo. Eu eu acho que todos deveríamos tentar e sermos um pouco mais delicados em nossa ambição.

SG: Antes de ir, eu gostaria de dizer que eu nunca conheci ninguém mais genuína, eloquente, pura, vulnerável jovem em sua posição quanto a Elle. Ter tudo o que foi dado a ela, é realmente… desculpa, eu não sei porque eu estou tão emotiva. Mas eu falo sério, foi especial de ver. Não foi como se tivéssemos conversado tanto e depois dito: “Então, vamos almoçar”. Eu a vi se transformar na mulher que ela vai ser um dia, e as pessoas que a cercam são especiais. Eu não poderia me sentir mais honrada por trabalhar com ela. E eu mal posso esperar para fazer mais coisas com você, Elle. Infelizmente, eu acho que esse é só o começo pra você, então, sinto muito e Deus te abençoe da melhor maneira possível.

EF: Ah, meu Deus, isso é muito!

SG: Ela sabe que estou lá e sempre estarei lá para ela. Me liga a qualquer momento com qualquer coisa que queira! Eu preciso dizer isso antes de ir embora.

LOVE: Foi um prazer falar com vocês duas, obrigado.

EF: Foi tão divertido. Selena, você pode me enviar mensagem mais tarde, por favor?

SG: Eu vou.

Entrevista por Selena Gomez

Palavras por Jonathan Heaf

Obs: Traduzimos apenas as partes da entrevista entre Selena e Elle Fanning. Para ler a entrevista completa incluindo as perguntas da própria LOVE para Elle (em inglês), clique aqui.

Tradução e Adaptação: Selena Gomez Brasil | fonte