ALLURE: Selena é a garota da capa na edição de outubro

Postagem por: Andressa Schmidt
09.09.2020
Categorias: Notícias

Se engana quem pensa que a quarentena desanimou Selena Gomez. A cantora, que lançou seu terceiro álbum solo em janeiro, já provou por A + B que 2020 é o ano que ela tirou para brilhar. Além de “Rare”, em exatamente 9 meses, Selena já lançou uma versão deluxe para o álbum, criou e lançou uma linha própria de maquiagens, produziu dois filmes, dublou um outro, lançou parcerias musicais importantes, estrelou um programa culinário, virou sócia de uma empresa de sorvetes, ganhou um novo papel como atriz em uma série de comédia e, como se não bastasse, foi capa das revistas Wall Street Journal, Dazed, Interview e, agora, encanta em sua quarta capa do ano, para a revista Allure.

Confira o photoshoot em alta qualidade e a íntegra da entrevista conduzida e escrita por Jessica Chia:

Selena Gomez está em completo controle de sua vida

Estrela do pop, atriz, produtora, e agora empreendedora de beleza, Selena Gomez ainda está buscando um desafio que ela não pode dominar.

Selena Gomez não gosta de aniversários. Quando conversamos, seus 28 anos estavam há apenas alguns dias de acontecer. “Eu não sou muito boa com aniversários”, ela diz, movendo as mãos como se estivesse espantando para longe. Selena (com o devido respeito a ela e ao redator da Allure, vamos apenas chamá-la pelo primeiro nome aqui) deixou o planejamento de festa nas mãos de amigos que ela tem visto durante a pandemia. “Eu não sei, parece que talvez só os 30 devessem ser celebrados. Fazer 28 é estranho,” ela diz. Em defesa de Selena, nada nesse ano parece festivo para ninguém.

Há uma qualidade paradoxal em entrevistas nesses tempos. Elas acontecem a distância, claro, ainda que haja uma intimidade artificial. Nós estamos sentadas em nossas respectivas camas. O look de Selena está sem enfeites. Ela usa uma túnica creme solta de manga comprida, tão simples e elegante que teria o mesmo efeito em casa, em uma passarela de Celine (marca francesa de luxo) ou em uma pintura Renascentista.

O restante de sua aparência também está atemporal: ela prendeu seu cabelo para trás em um rabo de cavalo, bem topo de sua cabeça. Apesar da imagem embaçada do vídeo no Zoom, é evidente por que ela chamou a atenção dos agentes de elenco desde que era mais nova. Seus cílios cheios e sobrancelhas arqueadas contrastam de forma impressionante com o restante de suas características faciais, quase angelicais – até que ela abre um sorriso largo, que te desarma como um desabrochar repentino.

Falando em cílios, sobrancelhas etc, nós estamos aqui para discutir, entre outras coisas, o lançamento da linha de cosméticos da Selena, Rare Beauty, com a qual ela esteve envolvida nos últimos dois anos. “Eu sempre quis o nome ‘Rare’. [A palavra] tem se tornado a identidade da minha marca e de quem eu sou, que está mostrando às pessoas que ser plural e diferente, independente do que esteja acontecendo, eu queria que tivesse esse sentimento que você está incluso,” Selena diz.

Eu não posso prometer que você vai sentir um nível profundo de inclusão no meio de uma pandemia que literalmente requer isolamento, mas eu posso dizer que você vai se sentir muito maravilhosa enquanto usa os produtos da Rare Beauty (que é a próxima melhor coisa). O Illuminating Primer (Primer iluminador) é tão perfeito na pele que me sinto compelida a pular a base. A base, que eu eventualmente testei, é a combinação mais próxima que já tive da mistura precisa dos tons amarelo-oliva-marrom de minha pele. (Pensando nisso, realmente é bem inclusivo). O batom Lip Souffle Matte é o paraíso fortemente pigmentado. O delineador não é incômodo de usar, mesmo para aqueles que tipicamente odeiam delineador. O blush líquido parece um rubor real e dura o dia todo. E o pó compacto Blot & Glow me deixou parecendo sem brilho e sem craquelar em um set de uma sessão onde eu tinha que ser minha própria cabeleireira e maquiadora.

Curiosamente, Selena se encontrou na mesma situação no set de nossa sessão de capa, onde segurança significa que ela teve de ser sua própria equipe de maquiagem. “Eu nunca fiz isso antes,” ela diz. “Eu estava um pouco estressada. Eu estava definitivamente orgulhosa por estar usando [Rare Beauty]. Eu pensava, ‘eu espero que eu tenha feito certo.'”

Alguns dias depois, quando sentamos para conversar, Selena não pareceu nem um pouco nervosa. Ela exala uma calma e serenidade tão inabaláveis, que a princípio me desespera, mas depois me faz sentir mais calma também. Ela é por vezes sarcástica (sobre quando, se acontecer, ela vai se apresentar para uma plateia de novo), sincera (quando discutimos imigração e desigualdade racial) e autodepreciativa (em relação a sua própria fama). Vê-la sentada em sua cama, abraçando seu joelho próximo do peito, é fácil esquecer que a mulher na minha frente é uma estrela do pop no topo das paradas musicais (seu terceiro álbum solo, ‘Rare‘, alcançou o cobiçado primeiro lugar nos EUA, liderado pelo sucesso do single, ‘Lose You to Love Me’), uma das primeiras atrizes latinas a estrelar uma série no Disney Channel e uma produtora executiva de programas de TV controversos roteirizados e não roteirizados que tratam de temas como trauma adolescente, suicídio, estupro e as injustiças nas leis de imigração dos EUA.

Claro, para ter uma credencial impressionante antes de chegar ao final de sua terceira década, você precisa começar cedo. Quando muitos de sua idade estavam tendo suas primeiras bonecas Bratz, Selena, aos 10 anos, conseguiu seu primeiro emprego em um grande programa de TV. Quando seus colegas da mesma geração conseguiam seus primeiros empregos, em algum momento da adolescência, Selena era uma milionária genuína. E esse impulso nos mostra sinais de relaxamento. Sua zelosa base global de fãs, muitos se autodenominam ‘Selenators‘, fez dela uma das celebridades mais influentes do nosso tempo, com mais de 186 milhões de seguidores apenas no Instagram.

Pouca parte da vida de Selena foi vivida na obscuridade, embora pudesse muito bem ter sido. Ela nasceu no dia 22 de julho de 1992, em Grand Prairie, no Texas, filha de Mandy Teefey e Ricardo Joel Gomez. “Minha mãe fez muito teatro, e eu era fascinada por ela,” Selena diz. “Eu era filha única, e muito, muito dramática – e eu ainda sou atualmente. Eu amava atuar.” Selena lembra de pedir a sua mãe se ela poderia estar na TV. “Eu sinto como se fosse uma algo que eu nasci para fazer,” Selena diz. “Minha mãe deixou eu me vestir para as audições. Eu aprendi as falas sozinha.” Os anos que se seguiram à sua regular passagem por Barney & Seus Amigos foram tomados por comerciais, sua primeira audição para o Disney Channel, e então sua grande estreia: “Quando eu tinha 13, eu fiz o piloto de Feiticeiros de Waverly Place,” Selena diz. “Eu me mudei para Los Angeles quando tinha 14. [Essa] série durou 4 anos e meio. E ainda estou viajando.”

Diferente de alguns ex-Disney, Selena faz questão de não minimizar ou descreditar a plataforma que lançou sua carreira. “Eu fui extremamente abençoada por ser trazida do Texas e escolhida para fazer parte de uma das maiores máquinas do mundo – foi meu ensino médio,” Selena diz, rindo. Na real, ela considera sua trajetória em Feiticeiros de Waverly Place, como Alex, uma adolescente corajosa com poderes mágicos, um dos principais motivos pelo qual ela comanda a audiência hoje em dia. “Eu acho que as personagens femininas do Disney Channel tinham muita força,” ela diz. “E meu lado cômico, minhas habilidades de improviso, tudo o que vivi me fez uma atriz melhor.”

Depois de algumas temporadas, coisas começaram a mudar. Ela era seguida no set por fãs. Entrevistadores como Elle DeGeneres repetidamente perguntavam a ela sobre sua vida amorosa. Nos tabloides, e nas, então novas, mídias sociais Twitter e Instagram, as pessoas rastreavam suas atividades em busca de pistas sobre seu status de relacionamento. “Minha vida pessoal estava em todo lugar,” ela diz. “Pareceu muito claustrofóbico e… eu me senti muito presa.”

Nada estava fora do limite para as críticas, inclusive seu corpo. Apesar de sua transparência sobre ter sido diagnosticada com lúpus, uma doença autoimune, ter passado por um transplante urgente de rim, uma segunda cirurgia por complicações relacionadas a primeira, e lidar com pressão alta, seu peso é constantemente criticado. “Eu estava lidando com um monte de problemas de saúde, então eu flutuei muito no meu peso,” ela diz. “Era simplesmente injusto para alguém lidar com isso.”

Selena também sentiu algumas expectativas de parecer mais abertamente sexual em seus vídeo clipes. “Eu fiz coisas que não eram realmente eu,” ela diz. Ela continua, escolhendo as palavras mais deliberadamente: “Existia uma pressão para eu parecer mais adulta no meu álbum, ‘Revival‘. [Eu senti] a necessidade de mostrar minha pele… Eu realmente não acho que eu era [aquela] pessoa.”

Notavelmente, nada silenciou Selena em um assunto pessoal: saúde mental. Na primavera, ela discutiu livremente sobre o assunto com a também ex-estrela da Disney, Miley Cyrus, em uma live no Instagram. “Depois de anos passando por coisas diferentes, eu percebi que era bipolar,” ela contou para Cyrus. “Eu queria saber de tudo, e isso levou o medo embora.” Ela comparou a experiência com seu medo de tempestades quando era criança. Ao invés de mimar ela, sua mãe comprou uma pilha de livros sobre fenômenos do tempo. “[Minha mãe] era tipo, ‘quando mais você aprende sobre algo, menos você vai sentir medo’.”

Meses depois, Selena ainda está processando seu diagnóstico com a maior transparência possível. “Eu sempre tive muitas emoções diferentes e eu não sabia como controlar isso muito bem,” ela diz. “Era complicado. Mas eu acho que estou feliz por entender isso. Uma vez que entendi mais sobre quem eu era, eu fiquei orgulhosa. Eu também me senti confortável por saber que não estava sozinha, e eu ia passar por aquilo. Então eu sempre serei apaixonada por esse assunto. É algo que eu vou continuar falando.”

Para estar com uma mente mais saudável, Selena limita seu tempo nas mídias. Ela não lê comentários, ela não posta no TikTok (sua equipe esporadicamente posta em sua conta para promover projetos), e ela definitivamente não coloca seu nome no Google: “Oh, Deus! Eu não faço isso há anos,” ela diz, franzindo a testa e estremecendo. Então, a expressão dela se suaviza. “Eu honestamente não posso. Eu sou forte de muitas maneiras, mas eu acho que tenho um coração sensível demais.

Seu senso de empatia é um dos principais motivos pelo qual ela esteve mais envolvida em sua conta do Instagram. Quando outras celebridades simplesmente postaram quadros negros para o Blackout Tuesday, Selena resolveu dedicar duas semanas do seu feed para um programa educacional criado por influenciadores no movimento Black Lives Matter. O professor da Universidade de Columbia Jelani Cobb, o ativista e rapper Michael Render (a.k.a. Killer Mike) e a fundadora do ‘Black Trans Circles’, Raquel Willis, estavam entre os escolhidos.

“Tinha muito de que eu não sabia,” Selena diz, colocando o cabelo para trás. “Eu estava tão para baixo em ver como as pessoas estavam sendo tratadas, e saber que pessoas em minha vida têm lidado com aquilo por anos, me contando histórias que elas nunca contaram antes.” Selena faz uma pausa para esfregar atrás de seu pescoço com a mão. “É por isso que o que eu fiz minhas redes sociais foi extremamente importante – ter essas vozes diferentes compartilhando suas experiências. Eu não queria ser alguém que simplesmente ia postar alguma coisa [ou fazer uma] doação.” (Selena doou sim, a propósito, principalmente por meio do Black Equality Fund que ela ajudou a criar em parceria com a organização sem fins lucrativos, Plus1).

Como uma colega Latina, eu perguntei para Selena que lugar ela acredita que nós, como pessoas morenas, temos em um movimento amplamente caracterizado por preto ou branco. Ela não responde exatamente, mas ela releva que tem duas experiências pessoais com descriminação em sua infância, as duas quando ela estava com seu pai, Ricardo, que é descendente de mexicano. “Estava de volta no Texas,” Selena diz. “Eles usavam um termo depreciativo [para se referir] ao meu pai, e eu apenas lembro que ele falava ‘não diga nada, não faça nada’.”

Felizmente, ela não ‘não fez nada’. Ela ajudou a produzir o documentário da Netflix, ‘Living Undocumented’, no ano passado, uma série que acompanha a vida de famílias reais sendo executadas pela execução muitas vezes desumanas das atuais políticas de imigração dos EUA. “Me deixou triste. Eu sabia que me relacionava com isso de muitas maneiras. Muitos de minha família são imigrantes, e fizeram suas vidas aqui,” Selena diz. “Uma vez eu fui removida por ser [imigrante]. Eu estou orgulhosa desse meu lado. Mas ver o que aconteceu [com as famílias no documentário], eu me senti desamparada – completamente enojada e frustrada – e eu queria fazer alguma coisa que faria as pessoas se sentirem desconfortáveis, que ia forçar as pessoas a assistirem algo que talvez elas não queriam ver, ou que não entendem.”

Selena considera ‘Living Undocumented’ uma das maiores conquistas de sua carreira. Ela diz que a outra é o drama controverso da Netflix, ‘Os 13 Porquês’, outra de suas produções, que lida com suicídio jovem, estupro, bullying, abuso, e outros problemas mentais. “Sendo desconfortável ou não, vista como imprópria ou não, tem gerado conversas,” Selena diz. “E eu sinto que foi importante para mim fazer isso.” (Alguns defensores da saúde mental criticaram fortemente a série, e ao menos uma das cenas foi deletada retroativamente).

Os próximos passos da carreira da Selena são decididamente mais leves, pelo menos por enquanto. Na pauta: um programa culinário na HBO Max chamado ‘Selena + Chef’, onde ela e um elenco de renomados chefs cozinham uma refeição “juntos”, mas de suas respectivas cozinhas.

Também tem mais por vir: outros lançamentos da Rare Beauty. (Não há rímel ou sombra na linha ainda, então eu estou apostando neles). Apesar de o “primeiro amor” de Selena ser atuar, e ela planejar continuar fazendo música, é claro que ela está saboreando a mudança de caminho. “Eu definitivamente gostaria de dizer que eu sou empreendedora,” ela diz, sorrindo. “Mas eu sou nova.” Eu pergunto se ela é patroa de alguém. “Esse é um termo estranho,” ela diz, primeiro rindo, depois considerando a possibilidade. “Não é tão estranho. É mais que eu estou no controle,” ela esclarece. “Eu estou planamente no controle da minha vida e em tudo o que eu faço, o que é lançado, tudo. Então gostaria de dizer que sim. Eu estou no comando de tudo na minha vida.”

Fonte: Allure Magazine

Tradução e adaptação: Equipe Selena Gomez Brasil

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