Postagem por:
Rebeca Gois
19 ago.2021

Após três anos sem dar entrevistas para a Elle Magazine, por causa de um episódio vivido com a revista em 2018, Selena Gomez voltou a falar com os jornalistas e entregou a matéria de capa que a gente precisava: loira, poderosa e sincera. Selena Gomez foi escolhida a dedo pela editora-chefe da Elle, Nina Garcia, para estrelar a primeira capa latina da revista: “Como a primeira latina a ser responsável por uma revista de moda, eu quero dedicar essa edição às minhas raízes. Enquanto escolhia alguém para a capa, eu não conseguia pensar em alguém melhor do que Selena Gomez. Eu acho que as pessoas irão entender o quanto ela se importa. Ela cria projetos que são importantes para ela e que possuem um motivo por trás. Nesta edição ela junta-se a nós para celebrar suas raízes mexicanas e latinas”, contou Nina em suas redes sociais e em uma entrevista ao Good Morning America.

Entrevistada por Carina Chocano e fotografada por Inez & Vinoodh, a cantora falou sobre sua vida pessoal, sobre enfrentar problemas de saúde e dilemas amorosos na mídia, sua carreira musical, “Only Murders”, seu envolvimento na política e sua relação com as redes sociais. Confira a tradução completa abaixo:

O RETORNO DE SELENA GOMEZ

Depois de anos enfrentando problemas de saúde, Selena Gomez se abre sobre bem-estar mental, sua nova série com a Hulu e não saber sua própria senha do Instagram.

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O lugar favorito de Selena Gomez para relaxar é seu quarto glamuroso. Um pequeno espaço no andar térreo de sua nova casa em Los Angeles, que se abre para um pátio de pedra ao redor de uma piscina em forma de ameba. Lá dentro, há uma sala de cabelo e maquiagem abastecida com produtos de sua marca Rare Beauty; racks de roupas para seu programa de culinária, Selena + Chef; uma seleção de sapatos em uma plataforma de caixas de sapatos; um sofá de veludo verde; um par de cadeiras de salão; uma TV de tela grande; um mini frigorífico; e uma sala de lanches. Gomez me encontra vestida com um suéter cinza claro felpudo, legging preta e tênis branco, o cabelo puxado para trás em um rabo de cavalo. Ela, suas colegas de quarto e seus avós maternos – que moravam com ela antes da quarentena – passam muito tempo aqui assistindo basquete e se divertindo.

Gomez se mudou para a casa pouco antes da pandemia, tendo recentemente vendido duas casas anteriores. “Experimentei vários bairros diferentes porque queria saber o que me faria sentir confortável em uma cidade que não me faz sentir tão confortável”, diz ela. “Eu estava tipo: “Oh, talvez eu tente West Hollywood”, mas eu pensava: “Não, essa não é a minha vibe”. Então me mudei para Calabasas, e pensei que seria bom e voltado para a família, mas na verdade é muito opressor e moderno agora. Levei um tempo para descobrir o que era melhor para mim”.

A casa que ela finalmente se estabeleceu tem uma vibe aconchegante, eclética e coletiva – quase um chalé de esqui ou uma fraternidade feminina. “Eu sou uma pessoa muito comunitária”, diz Gomez. “Eu fico muito feliz quando estou com as pessoas que eu amo”. Considerando os desafios que ela encarou na década passada, não é de surpreender que ela se sinta em casa cercada por sua família e amigos mais próximos.

“Meu lúpus, meu transplante renal, quimioterapia, tendo doença mental, passando por decepções amorosas muito públicas – essas foram todas as coisas que possivelmente me desmoronariam”, ela diz. Gomez fala devagar e calmamente, num registro surpreendentemente baixo e sem muito alarde. “Toda vez que eu passava por algo, eu ficava tipo “O que mais? O que mais eu vou ter que lidar?’”. “‘Você vai ajudar pessoas’”, disse para ela mesma. “Foi o que me manteve de pé. Teve um tempo em que eu não estava forte o suficiente, e eu poderia fazer coisas para me machucar”.

Dizer que a década passada foi difícil para Gomez é um eufemismo dos fortes. Mas, foi e tem sido de incríveis aprendizados.

Durante a pandemia, enquanto a maioria de nós estávamos comendo biscoitos e usando pijamas o dia todo, Gomez estava ocupada gravando a nova série da Hulu, “Only Murders In The Building” (seu primeiro papel regular em série desde “Os Feiticeiros de Waverly Place”). Estrelando ao lado de Steve Martin e Martin Short, Gomez, que é também produtora executiva, interpreta Mabel, uma mulher jovem e solitária que mora num luxuoso apartamento em Upper West Side. Quando um morador é encontrado morto, ela conhece seus vizinhos e verdadeiros fãs de crime, Charles e Oliver (Martin e Short), e os três decidem investigar e criar o próprio podcast, mais como uma desculpa para passarem um tempo juntos. Quando “Only Murders in The Building” começou a ser filmada, em novembro passado, Gomez estava animada, mas os protocolos contra a COVID-19 tornaram a experiência um pouco estressante. “Ninguém estava autorizado a ficar no set. Todo mundo devia usar máscaras e proteção de rosto. Se eu tocasse no cenário, eles limpavam”, ela diz. Para uma cena de beijo, foi solicitado que ela lavasse sua boca com Listerine depois de cada take – e foram uns 7 – 10. “Minha boca queimava. Eu estava tipo: “Eu quero vomitar”. Eu nunca trabalhei em um set dessa maneira”.

“Ela é uma atriz brilhante” Martin Short me diz ao telefone. “E tem um calor imediato e amor nela”.

Ela impressionou Steve Martin também. “Eu e Marty estávamos ambos presos a ela, entendendo que aquela sutil atuação, é uma atuação poderosa,” ele diz e completa “Marty não entende isso ainda”.

Os três se conectaram instantaneamente, sua dinâmica no set refletiu em uma divertida entrega nas telas. Gomez, por exemplo, tomou para a si educar Martin em certas matérias culturais.

“Havia uma linha no roteiro que dizia: “Ela é uma OG”. E Steve caminhou e disse: “Alguém pode me dizer o que OG significa?”. Eu morri de rir”, ela diz. Em outra ocasião, ela ensinou a ele a letra de “WAP”. “Steve disse: “Marty, eu acabei de ouvir uma nova letra para “Top Hat and Tails”, Short se lembra.

Gomez amou trabalhar com atores mais experientes. “Eu pude estar em um espaço cheio de sabedoria”, ela diz. “Eles se tornaram meus tios”. Martin ecoou o sentimento: “Acabamos nos sentindo muito próximos de Selena”.

“Only Murders” não foi o único programa que ela gravou durante a quarentena. “Selena + Chef” foi inspirado nas comidas que as pessoas estavam postando e a inabilidade de Gomez para fazê-las. “Todo mundo ficou tão envolvido em cozinhar durante a pandemia”, ela diz. Ela se viu olhando para fotos de comidas, desejando que soubesse como prepará-las.

Então, como qualquer um – se o um for Selena Gomez – ela ligou para sua equipe e perguntou o que ela poderia fazer durante a quatentena que a permitisse se divertir cozinhando. Pouco tempo depois, “Selena + Chef” nasceu. Na introdução, compras chegam em sua porta e quando ela vai pegar, ela sussurra: “É isso que eu vou queimar hoje”. Então, um chef famoso aparece (remotamente) em sua cozinha. Até agora, ela cozinhou com Nancy Silverton, Ludo Lefebvre e Antonia Lofaso, entre outros. A cozinha de Goemz está coberta por câmeras e uma grande TV, que fica dividida entre o rosto dos chefs e suas mãos. Gomez tenta acompanhar enquanto sorri e faz graça. “Quando eu tiro do forno, eu fico: “Essa é a aparência”.” Ela alimenta seus avós e colegas de quarto com os resultados.

Esse programa a faz feliz. Em adição a alimentar seus objetivos de filantropia (o programa já juntou $360,000 para 23 organizações sem fins lucrativos durante as duas primeiras temporadas), ele a ajudou a se conectar com os fãs de uma maneira muito autêntica. “Foi o mais “eu mesma” que eu já fui para o mundo”, ela disse. Ela percebeu que pode não ser a mais talentosa cozinheira, mas cozinha mesmo assim. Ela está fazendo seu melhor. Fãs vieram até ela para dizer, “É incrível que você cometa erros.”

Levou tempo para que Gomez, que tem vivido sua vida nos holofotes desde que tinha sete anos, se sinta confortável mostrando essa vulnerabilidade. A estrela infantil, que se tornou um nome da casa quando estrelou Os Feiticeiros de Waverly Place do Disney Channel, lutou com a falta de privacidade e com a constante presença da mídia em sua vida. “Por um tempo, eu me senti como um objeto”, ela diz. “Foi nojento por um bom tempo”.

A primeira vez que Gomez buscou tratamento para saúde mental, logo após ela ser diagnosticada com Lúpus em 2014, alguns assumiram que ela tinha ido à reabilitação por abuso de substâncias. “Eu não sei o que eles acreditavam que eu estava fazendo – drogas, álcool, passeando, festejando. As manchetes eram tão nojentas.”

Então Gomez decidiu virar o jogo. Ela postou uma legenda no Instagram “Eu quero reivindicar meu nome.” Ela falou abertamente sobre suas batalhas: “Sim, eu fui embora. Sim, eu lutei com minha saúde mental. Sim, eu tenho estado depressiva e tenho ansiedade.” Em 2018, Gomez foi diagnosticada com transtorno de bipolaridade. “Eu senti um grande peso saindo de mim quando descobri”, ela disse. “Eu pude respirar fundo e ‘Ok, isso explica tudo’.”

Uma forma como Gomez assumiu o controle de sua saúde mental foi abandonando as redes sociais. Quatro anos atrás, ela era a pessoa mais seguida do Instagram. E ainda assim, enquanto era amada por milhões de fãs, ela lutava com a negatividade que frequentemente vinha à tona nos comentários. Ela perguntou a si mesma, “Qual o propósito disso?” Visitando fãs nas enfermarias hospitalares, tendo fãs vindo e dizendo o quanto “Lose You To Love Me” os ajudou a passar por um término – essas coisas significavam mais para ela do que postar uma foto de suas unhas. “Eu estava tipo: ‘Eu preciso fazer algo [a mais]. Quando eu partir, quero que as pessoas lembrem do meu coração’.” E então, em 2017, ela entregou as rédeas (e senhas) de suas redes sociais para sua assistente. Ela ainda manda fotos e legendas, mas não é ela que posta diretamente. “Eu não tenho em meu celular, para que não haja nenhuma tentação. Eu tive que aprender como estar comigo mesma. Aquilo foi chato, por causa do passado, eu poderia passar horas olhando para a vida de outras pessoas. Eu me encontrava 2 anos dentro do feed de alguém, e aí eu percebi: ‘Eu nem conheço essa pessoa!’. Agora eu tenho informação do jeito correto. Quando meus amigos têm algo a dizer, eles me ligam e dizem: ‘Oh, eu postei isso.’ Eles não dizem, “Espera, você viu meu post?’.”

Evitar redes sociais liberou espaço mental, permitindo que Gomez focasse em projetos e causas que falassem com ela em um nível mais profundo. “Foi tão bom”, ela disse. “Eu senti que, de repente, eu era capaz de estar presente”. Ela começou a desenvolver a Rare Beauty, uma coleção de maquiagem que é sobre abraçar sua beleza natural e rejeitar padrões irrealistas de perfeição. “Eu passei anos da minha vida tentando parecer como outras pessoas. Eu via uma imagem, e falava tipo: ‘Meu Deus, por que eu não sou assim?’. Nada daquilo era bom para mim”. Com a Rare Beauty, ela quer empoderar mulheres a usar maquiagem porque elas querem, não porque elas precisam. E assim como todos os seus empreendimentos, a marca também tem seu lado da caridade: o Rare Impact Fund, que quer juntar 100 milhões de dólares nos próximos 10 anos para melhorar o acesso aos serviços de saúde mental. “Tudo que eu faço tem seu lado beneficente. Se algo bom não sair [do trabalho], eu não faço mais. Eu não preciso de dinheiro”, ela diz. “Eu preciso de pessoas que queiram lutar comigo.”

Ela trouxe o mesmo espírito de batalha para o Instagram. Reconhecendo que ela tinha uma plataforma poderosa – mesmo sem que ela gerencie todos os dias – ela decidiu usar seu perfil para o bem social. Antes das últimas eleições, Gomez nunca havia votado, e ela começou a se perguntar o porquê votar parecia tão complicado. “A princípio, eu estava apenas educando as pessoas sobre o processo de votação”, diz. Ela se envolveu com a organização “When We All Vote” e entrou para o “Voting Squad” de Michelle Obama, entregou seu Instagram a ativistas, filantropos, professores, terapeutas e psicólogos. O caos da última administração governamental também a levou a refletir sobre sua herança mexicana em formas que ela nunca pensou antes. Ela relembrou sobre uma experiência de racismo vivenciada com seu pai. “Na minha infância, não tínhamos muito e éramos tratados muito mal. Meu pai era abordado o tempo todo e ele nem estava fazendo nada [de suspeito] na maioria das vezes”. Uma vez, num show de Shania Twain, em Dallas, alguém (que claramente não a reconheceu) chamou seu pai de “imigrante mexicano”. Gomez ficou irritada. “Eu queria mostrar a ele meu Instagram”, ela brinca. Mas seu pai a convenceu do contrário. “Não há nada que possamos fazer”, ela se lembra do que ele disse. “Só vai causar mais confusão para mim, não para eles. Nós podemos ser expulsos daqui”.

Atualmente, Gomez canaliza sua indignação em ações, usando sua plataforma para fazer campanhas contra desinformação e discursos de ódio, aumentando o conhecimento sobre tráfico humano e a situação de imigrantes ilegais em “Living Undocumented”, o documentário da Netflix da qual ela é produtora executiva. Ela também usa seu poder e posição para celebrar colegas latinas. Caso em questão: “In The Shadow of the Mountain”, filme biográfico que ela está produzindo e estrelando sobre Silvia Vásquez-Lavado, uma empreendedora peruana, escaladora e a primeira mulher abertamente gay a escalar o Seven Summits.

Em março desse ano, Gomez encontrou outra forma de se conectar com a comunidade latina: “Revelación”, seu primeiro disco em espanhol. A pandemia proveu a pausa perfeita que ela precisava para tirar esse projeto do papel. “Foi um desafio”, ela diz. “Eu acho que falar espanhol é muito mais fácil do que cantar”. Mas com um pouco mais de tempo do que de costume, Gomez pôde trabalhar com um professor de espanhol e dominar a língua. “Eu quis garantir que eu não ia parecer uma boba”, ela diz. “Eu foquei muito em ter certeza de que a língua e a forma que eu estava falando fossem autênticas. Eu queria exalar amor – para falar sobre dor, mas de uma forma confiante. Tem uma canção sobre garotas que dizem adeus para coisas que não as fazem bem”.

Muitos meses atrás, Gomez disse em uma entrevista que ela estava considerando largar a carreira musical; ela não sente que é levada a sério enquanto musicista. Mas, quando questionada sobre isso agora, ela volta atrás. “Eu acho que nunca vou desistir da música”, ela diz. Mas admite que ainda sente que está constantemente tentando se provar. “Não estou dizendo que quero um Grammy. Eu apenas sinto que estou fazendo o melhor que posso e [minhas músicas] são todas sobre mim. Algumas vezes, isso pode me afetar de verdade”. A música, ao contrário da atuação, é muito pessoal. Ela diz: “Você está derramando sua intimidade pro mundo”. Sair do Instagram a ajudou a estancar o corrimento emocional – e deu a ela espaço para assumir riscos mais criativos. “Esse pequeno celular que tem 150 milhões de pessoas dentro – eu simplesmente desligo”, ela diz. “Isso foi um grande alívio pra mim”.

Tradução e adaptação: Equipe Selena Gomez Brasil

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