Postagem por:
Eduarda Altmann
06 maio.2022

Com pouco mais de um mês no ar, a Wondermind está a todo vapor! Conquistando cada vez mais o público, a escolhida para estrelar a capa do mês de maio foi a atriz e cantora Camila Cabello. Em uma conversa honesta e vulnerável, Selena Gomez entrevistou Camila sobre como tem sido sua jornada com a saúde mental e quais as principais formas de ajudar alguém que passa pelos mesmos desafios. Confira a entrevista completa:

DENTRO DA MENTE DE CAMILA CABELLO

Selena Gomez: Então, como você está de verdade?

Camila Cabello: Eu estou muito orgulhosa de mim mesma por sair da minha zona de conforto e estar socializando, sempre sendo vulnerável e honesta com meus amigos, o que pode ser difícil às vezes e bem cansativo. Eu gastei muito do início da minha idade adulta me isolando e não tendo relações íntimas e amizades com pessoas. Então estou orgulhosa de mim por fazer isso agora e ter conversas difíceis. Eu estou orgulhosa e também um pouco cansada.

SG: O que aptidão mental significa pra você?

CC: Parte de manter relações fortes é falar e aparecer, então isso é muito importante pra mim. E também, estar em contato com a natureza me ajuda muito. Prestar atenção no que eu preciso e me perguntar o que eu preciso e não me sentir mal se eu não quiser sair naquela noite. Apenas ser verdadeira com o que vai me fazer sentir melhor, ou bem, naquele momento.

SG: Você já falou sobre passar por períodos de ansiedade. O que você sente quando está ansiosa?

CC: É engraçado porque, outro dia, eu estava muito ansiosa por um motivo. Eu estava indo a um lugar com um amigo no carro. Eu precisava muito falar com meu terapeuta, então eu liguei pra ele enquanto meu amigo estava no carro comigo e eu percebi que minha ansiedade se manifesta de forma obsessiva e compulsiva. Às vezes parece que eu estou me perguntando a mesma coisa como “o que você quis dizer com isso? Você tem certeza de que não está chateado comigo? Espera, tem certeza que não está chateado comigo?” E repito por inúmeras vezes. Acontecia muito mais, ficar presa nesses loopings por muito tempo até o momento que eu senti que não podia receber a resposta que eu estivesse satisfeita, eu ficaria obsessivamente presa nisso. Então, pra mim, ansiedade parece, mentalmente, como querer obter uma resposta, um uma forma de ter controle e certeza, o que é difícil, porque às vezes você apenas não consegue. Você tem que lidar com isso. Parece tipo – é meio estranho falar dessa forma porque eu não uso drogas – como se você tivesse numa bad trip. Na hora, tudo parece perturbador e mais do que você consegue lidar como se tivesse em um brinquedo e querendo sair. Na minha mente é um looping, de forma obsessiva e compulsiva. No meu corpo, é uma tensão, quase como se eu não conseguisse me mexer, e minhas mãos estão presas e tudo está amarrado.

SG: Eu estou muito feliz que você está lidando com isso. Você se importa que eu pergunte se está usando alguma medicação?

CC: Eu tenho tomado ISRS e isso tem me ajudado bastante. Especialmente quando eu estava fazendo terapia também, eu senti que precisava disso para chegar em um lugar acima da superfície de voltas e manifestações e chegar nos padrões de pensamentos e coisas que realmente estavam me causando ansiedade. Eu realmente acho que medicação pode ajudar e se fazer necessária.

SG: Eu entendo completamente que as pessoas ficam nervosas sobre essas coisas, mas significa muito quando você encontra a certa para você.

CC: 100%, pode salvar sua vida!

SG: Qual é uma coisa mal entendida sobre a saúde mental que te deixa frustrada?

CC: Eu fico frustrada com o estigma sobre terapia. Eu sinto como se existe mais em gerações mais velhas. As pessoas como meus pais tem vergonha de precisar de terapia ou ficarem ansiosos. O estigma sobre dizer que você precisa de ajuda é algo que me frustra porque às vezes é tipo “não, eu não preciso disso, só preciso de um tempo” ou algo assim. Claro que isso é válido, mas não significa que porque você precisa de terapia que tem algo mais errado com você do que com outras pessoas. Todos nós temos coisas que temos que resolver, todos temos ferramentas a aprender, e isso não significa que você é “maluco” ou doente. Se você está apenas tentando lidar com coisas que te fazem sofrer? Todos não queremos isso?

SG: Claro, eu concordo totalmente. Seu álbum “Familia” é bastante pessoal. Foi algo difícil, estranho ou um alívio?

CC: No início do álbum eu estava no pior momento da minha jornada de saúde mental. Bem, provavelmente o pior mais recente. No início daquele período, antes mesmo de começar, eu não sentia que estava pronta para ir pro estúdio. Eu estava tipo “não estou me sinto bem”. Todo dia era uma batalha, era muito. Então juntando tudo com escrever parecia muito pra mim. Então minha condição de ir pro estúdio era ir com alguém que eu me sentia segura emocionalmente de estar perto, então se eu tivesse aqueles pensamentos de “ei, eu tenho esses comportamentos compulsivos quando estou muito ansiosa” ou “oi, estou muito ansiosa agora” eram pessoas que me faziam sentir confortável de dizer coisas assim. Antes disso, no estúdio, eu sentia que era tudo muito performático, que as pessoas queriam que eu me sentisse confiante e eu tinha que me encaixar no que eles queriam que eu sentisse, ao invés de o que eu estava sentindo na verdade.

E é muito ruim que isso se relaciona a saúde mental. Do lado de fora, minha vida está ótima. Eu posso fazer um álbum, ou eu estou nesse relacionamento ou coisa assim. Eu quase sentia vergonha pensando que as pessoas não entenderiam que eu tivesse ansiosa porque, que motivo eu tinha?

SG: Você ficou surpresa com as reações do álbum? Eu pessoalmente acho muito relacionável. Eu estive nessas situações. Você se sente melhor que ele foi lançado?

CC: Meu Deus. Eu me sinto muito melhor! Muitas das coisas que eu falei – como Psychofreak, que era sobre ansiedade que eu sentia com intimidade e relacionamentos que estou, como “eu sinto que você está mentindo quando diz que me ama. Eu sinto que estou maluca”. Essas coisas são algumas das que eu não falei com ninguém exceto minha mãe e meu terapeuta porque eu fiquei isolada muito tempo. Foi a primeira vez que eu falei sobre isso fora do meu círculo mais próximo e pude falar disso com meus colaboradores. E eles estavam me perguntando as mesmas coisas. “O que isso parece pra você? Que pensamentos estão na sua mente?”. Era muito difícil, eu me sentia muito ansiosa quando falava sobre essas coisas porque eu acho que antes de entrar na minha jornada eu tinha medo de ser descoberta, como seu meu cérebro estivesse quebrado, não era normal. E quando você fala sobre isso com pessoas e elas falam “é, faz sentido”, é tipo como se não tivesse um grande segredo para esconder. Quando eu me abri, essas pessoas não me deixaram. Essa foi a coisa mais calmante. Então, ter essas músicas liberadas para o mundo e poder falar sobre essas coisas em entrevistas, parece que elas não tem mais tanto poder sobre mim, enquanto antes elas tinham controle total sobre minha vida.

SG: Eu entendo totalmente. Qual é o melhor conselho de saúde mental que você já recebeu?

CC: Eu acho que o melhor conselho de saúde mental que eu já recebi é que fingir é a pior coisa para minha saúde mental, pessoalmente. Dizer a verdade e ser vulnerável e falar sobre é basicamente o que eu terapeuta fala pra mim em todas as sessões. Obviamente, a terapia funciona porque eu faço essas coisas, e acabo tendo essas conversas. Apenas dizer a verdade sobre como você se sente tipo “eu me sinto uma merda hoje. Eu me sinto muito triste hoje. Eu me sinto depressiva. Estou com um pouco de pânico”. Isso me ajuda muito. E achar pessoas que você se sente confortável em dizer isso é muito relaxante. Ironicamente, quando você sente com um pouco de pânico e alguém vem e fala “tudo bem, eu entendo”, acaba indo embora. Em outros momentos que você sente que não pode falar nada, fica dez vezes pior.

Tradução e adaptação por: equipe Selena Gomez Brasil.

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